A UMEN entrevista Jerônimo Mendonça Ribeiro

 

A UMEN entrevista Jerônimo Mendonça Ribeiro

Nossos companheiros dedicados da UMEN Jano Alves (Atual presidente da Casa) e Gézio Soares, quando participantes do grupo de Mocidade da UMEN, viajaram rumo a Minas Gerais e fizeram uma entrevista histórica com o estimado Jerônimo Mendonça, no dia 14 de fevereiro de 1989.

Nesta e nas próximas edições de A Voz da UMEN, teremos fragmentos desta entrevista que é um registro único deste incansável colaborador da Doutrina Espírita, no Brasil.

 

QUEM FOI JERÔNIMO MENDONÇA?

Jerônimo Mendonça Ribeiro nasceu em Ituiutaba – MG – no dia 1º de novembro de 1939, filho de Altino Mendonça e Antônia Olímpia de Jesus, tendo retornado à pátria espiritual em 26 de novembro de 1989.

Foi um grande trabalhador, palestrante e escritor espírita, que juntamente com Chico Xavier, seu amigo, trabalhou pelas causas sociais e pela divulgação da doutrina espírita. Jerônimo Mendonça, mesmo paralisado em uma cama ortopédica e cego trabalhava arduamente pelo ideal espírita e, por isso, ficou conhecido como O Gigante Deitado.

Apesar das grandes dificuldades, ele sempre mantinha o bom ânimo e dava conselhos a milhares de espíritas que vinham para pedir aconselhamentos. Ele viajou pelo Brasil inteiro graças a um leito anatômico projetado para ele.

Dentre outras instituições, como creches, Jerônimo fundou os centros espíritas: Seara de Jesus, Manoel Augusto da Silva e Lar Espírita Pouso do Amanhecer.

Escreveu os livros: Crepúsculo de um Coração, Cadeira de Rodas, Nas pegadas de um Anjo, Escada de Luz, De mãos dadas com Jesus e Quatorze anos depois (em co-autoria).

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Leia abaixo a primeira parte desta enriquecedora entrevista:

Jano: Senhor Jerônimo, nós gostaríamos de saber agora, como foi que o senhor travou conhecimento com a Doutrina Espírita?

Jerônimo: Meu amigo doutor Jano, caro Genézio (Jeronimo Mendonça se confundiu e chamou Gézio de Genézio), primeiramente eu quero agradecer a Jesus pela presença de vocês em Ituiutaba, se  deslocando de tão longe, de Niterói, para estar aqui conosco, conhecer de perto a nossa modesta tarefa dentro do espiritismo tijucano.  O nosso ingresso na doutrina espírita, se deve a um fato interessante. Desencarnara a minha avó materna, aqui nós éramos muito ligados, por uma afinidade muito profunda, e nessa época contávamos com 15 anos de idade, e pertencíamos a igreja presbiteriana do Brasil. Então, senti um impacto muito grande, e fui perguntar ao pastor naquela oportunidade, qual era a situação da minha avó, desencarnada. E então ele me dera uma resposta que em tudo me dilacerara a alma, dizendo que infelizmente, ela não era crente, não era uma devota do Cristo, no sentido da filosofia a que nós comungávamos na igreja, ela havia perdido a sua existência na terra. Aquilo pra mim foi como um trauma. Desci da igreja completamente desiludido, porque eu a conhecera, apesar da minha juventude, ainda na fase de adolescente, aquilo criara dentro de mim um trauma muito grande. Foi quando fui visitar um seareiro do bem dentro do espiritismo de Ituiutaba, hoje desencarnado, senhor Gabriel da Rocha Gaudin. Ele percebendo a minha melancolia, chamou-me a um diálogo e fez uma síntese expositiva de O Livro dos Espíritos e do Evangelho, abrindo-me horizontes novos ao espírito investigador quanto a evolução, quanto a reencarnação, a pluralidade dos mundos habitados… então daquele momento em diante eu me desvinculei da igreja. O meu problema foi mais filosófico. A resposta do pastor, fora aquele empurrão que ele me dera para que eu pudesse me reencontrar com o espiritismo, que já me esperava na voz amiga de um benfeitor de nossa terra.

Jano: O senhor, antes do espiritismo, pertencia a que grupo religioso?

Jerônimo: A igreja presbiteriana de Ituiutaba. Eu era protestante.

Jano: Existe uma história aí de que o senhor era muito bom de bola.  Como é que é essa história?

Jerônimo: Hoje a gente já pode mentir à vontade, porque não pode ser submetido a teste, não é Gézio (risos)… realmente nós gostávamos um pouco de futebol, tivemos oportunidades de marcarmos nossos gols e eu era ponta direita do meu time… até que os desígnios do Senhor me convocaram para vestir uma camisa diferente e jogar num campo muito mais vasto onde eu costumo dizer que dentro deste campo ninguém é reserva… todo mundo é útil, todo mundo joga, todo mundo trabalha e ninguém sai contundido… Que é o trabalho do bem. Então eu deixei-o pela enfermidade, dr. Jano, que é uma artrite reumatoide deformante, eu deixei-o, o campo de futebol, para um par de muletas, depois para uma cadeira de rodas onde fiquei apenas um ano, porque com a atrofiamento dos membros superiores, eu não pude mais permanecer  na cadeira e vim para esse leito ortopédico onde estou já a trinta anos. 

Jano: E o surgimentos dos trabalhos em Ituiutaba, os trabalhos vinculados a sua pessoa, quando que isso começou?

Jeronimo: Quando eu pertencia a mocidade espírita UMEI, União da Mocidade Espírita de Ituiutaba, naquela época eu já me dedicava a campanha fraterna, campanha do quilo Auta de Souza, muito conhecida no brasil, visitar os enfermos da periferia da cidade… então eu me apaixonei de tal forma por esse tipo de trabalho porque já era intuitivamente uma espécie de convocação ao meu espírito para aquilo que eu haveria de realizar a posteriori quando me sobreviesse a enfermidade. Então foi apenas uma continuidade. Eu deixei o sentido vertical em que eu me encontrava, para trabalhar no sentido horizontal do corpo físico, nessa situação de decúbito dorsal e hoje esse campo foi ampliado porque não estou mais apenas nos horizontes estreitos de Ituiutaba. Hoje posso dizer, sem falsa modéstia, que nosso trabalho se amplia a nível nacional em busca de subsídios para as obras assistenciais de Ituiutaba, para a creche, mas acima de tudo, plano prioritário, a divulgação da Doutrina Espírita.

Jano: A nós, nos interessa realmente, prioritariamente, na nossa entrevista saber do senhor respeito de algumas coisas… mais propriamente do que dos termos biográficos, porque esses nós já temos conhecimentos de outras fontes. Então gostaríamos de saber do senhor o seguinte: em primeiro lugar, o que senhor poderia falar sobre a doutrina espírita na sua vida?

Jeronimo: A doutrina espírita para todos nós que compomos a humanidade terrestre é sem dúvida alguma o retorno do cristianismo, na sua pureza mais primitiva. Mas para mim, em particular, dadas as circunstancias em que me encontro, há trinta anos numa reclusão em cima de um leito (?), ela significa, para mim, tudo. É o antidoto contra a loucura, do desespero, foi o antidoto contra as ideias de suicídio, ela me deu sentido real da existência humana. Ela provou a mim, através de fatos irrefutáveis, a realidade do mundo invisível, pelo contacto com os próprios espíritos… então a doutrina espírita para todos é como um sol divino, abençoando a esperança de todos os filhos de Deus. Mas particularmente a mim que para os olhos humanos estou como que marginalizado de tudo aquilo que lhes classificaria por direito de felicidade transitória da carne, a doutrina espírita é bem a presença do Cristo bem próximo de mim, me dando força, me dando coragem,  me dando otimismo, me dando esperança e me conscientizando sobre tudo, que tudo isso aqui é muito transitório, muito efêmero, e que nós somos cidadãos do infinito… então eu não tenho adjetivos para explicar ao leitor o que é espiritismo para mim. Eu só lhes diria o seguinte: sem espiritismo, eu não seria eu.

(Continua no próximo post) 

Esses e outros textos podem ser encontrados nas edições anteriores de “A Voz da UMEN”! 

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